J O A L H A R I A  E  A N A T O M I A

O desconforto é um gosto adquirido, tal como muita da joalharia contemporânea. Mas sentir-se desconfortável estimula a auto-consciência e provoca um estado de alerta elevado. (…) E às vezes sentir-se inquieto no mundo é a única forma de sentir-se confortável na sua própria pele.

Suzanne Ramljak, Contemporary Jewelry in Perspective, p 219

 

Difícil dissociar a peça tradicional de joalharia do corpo - este afirma-se como o seu destinatário, ponto de referência e suporte por excelência.

A abordagem contemporânea questiona muitas vezes esta relação, lançando provocações, desafiando convenções, testando os limites físicos e alterando a percepção do espectador através de esculturas usáveis que se encontram na fronteira entre o objecto funcional e a obra de arte.

 

Mas o que acontece a partir do momento em que, para além de usar o corpo como suporte, o usamos como fonte de inspiração?

Como pode o corpo passar de cenário a participante activo no processo de criação?

 

Existem jóias que marcam e furam o corpo e jóias que nem o tocam, casos exemplares de utilidade e ergonomia e também óptimos exemplos de superficialidade e desconforto.

Será a peça de joalharia um adorno que ambiciona servir e enaltecer este suporte humano, objecto artístico autónomo ou elemento estranho que o agride?

 

Vamos olhar para o corpo e descobrir mais do que o palpável e visível, todo um universo composto por camadas de tecidos, estruturas e informação. Cores, texturas, formas, membros, órgãos, ossos, veias, nervos, músculos, cabelos, fluidos, gestos, movimentos, sentidos e sensações.

 

A inspiração no corpo pode incluir referências formais, até no que respeita a fontes de matéria-prima. Pode ser um ponto de partida para novas abordagens à forma de fazer joalharia, uma pesquisa por novas áreas onde posicionar a jóia, uma nova percepção da anatomia humana e o estabelecimento de diferentes níveis de relação da jóia com o corpo. Pode ser simplesmente a exteriorização formal de algo que costuma estar escondido ou passa despercebido à primeira vista.

 

Mais uma vez o nosso papel é levantar questões, desafiar e não restringir - queremos abrir olhos enquanto abrimos horizontes, convidando os joalheiros a inspirar-se na anatomia como ponto de partida para um novo Desafio - desafiem-se!

 

D E S A F I O  2 0 1 9

Com o principal objectivo de mostrar a qualidade e diversidade da joalharia contemporânea, abrindo as suas portas ao grande público, o Tincal lab convida todos os anos joalheiros de todo o mundo para um Desafio: a criação de até 3 peças com o preço máximo de 100€, inspiradas por um tema.

Deste Open Call lançado anualmente em Junho resulta uma exposição internacional colectiva de características únicas, composta por cerca de 100 peças de joalharia exclusivas criadas pelos 40 a 45 joalheiros seleccionados pelo júri para a integrar. A inauguração decorre no Tincal lab em Novembro, na data do evento de Inaugurações Simultâneas em Miguel Bombarda, no Porto, acompanhada do lançamento de um catálogo.

Em cada edição é, desde 2018, atribuído o Prémio Selecção do Júri e dois Prémios Selecção do Público (votação presencial e online), que consistem numa exposição a decorrer no Tincal lab durante o ano seguinte.

 

Em 2019, a quinta edição do Desafio Tincal lab propõe o tema: Joalharia e Anatomia.

 

>> Formulário de Candidatura e Condições de Participação

>> Evento no facebook

 

P R A Z O S

ENVIO DE CANDIDATURAS: até 30 de Junho

SELECÇÃO DOS AUTORES: até 10 de Julho

RECEPÇÃO DAS PEÇAS: até 30 de Setembro

EXPOSIÇÃO: de 9 de Novembro a 31 de Dezembro

 

J Ú R I

Ana Pina (Portugal) | representante Tincal lab

Arquitecta de formação (FAUP, 2004), trabalha alguns anos nesta área antes de descobrir o mundo da joalharia. Desenvolve uma marca em nome próprio desde 2012, depois de uma formação na Escola Engenho e Arte. Em 2015 funda o Tincal lab, espaço de trabalho, exposição, venda e dinamização da joalharia contemporânea, no centro do Porto.

 

Áurea Praga (Portugal) | representante Joalharia

Dedica-se à joalharia e ilustração, cruzando estas áreas. Pós-Graduada em Design de Joalharia e Mestre em Design, ambos na ESAD Matosinhos; licenciada em Design de Comunicação, pela FBAUP. É actualmente Coordenadora do Departamento de Joalharia e Docente na ESAD Matosinhos desde 2016.

 

Paulo Rui Monteiro (Portugal) | representante Anatomia

Licenciado em Medicina (FMUP, 1995), com especialidade em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética, destaque para o título de Fellow of the European Board of Plastic Reconstructive and Aesthetic Surgery, 2005. Desenvolve actividade cirúrgica de forma combinada em várias unidades públicas e privadas do país. Desde sempre também um apaixonado pelas artes plásticas.

 

[crédito da foto: Anatomie Pour l'Artiste, Sarah Simblet/John Davis]

 

Tincal lab . Curadoria e experimentação em joalharia contemporânea